domingo, 30 de agosto de 2015

Ela é uma ferida aberta que nunca vai fechar. Toda noite eu limpo e troco os curativos, as vezes inflama e eu acabo gastando a noite inteira cuidando. Posso viver com ela, mas é tão profunda que nunca vai fechar.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Elfa

Hoje eu tava te olhando pensar, olha que idiota. Mas tava lá eu com 7 cartas de uno te olhando. Você tava de fone, com o rostinho virado pro lado. E olha, isso ta na minha cabeça até agora. Eu fico feliz de poder te olhar todos os dias, mesmo que um palmo seja um buraco infinito pra gente, eu ainda posso te olhar. Sentir meus frios na barriga tem resumido a palavra "paz" nos meus dias. Hoje nossos olhares se cruzaram por nada mais de 1 segundo algumas vezes e puta merda.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Tenho sonhado contigo, sentido sozinha. Cada dia mais linda, mais distante. Sinto os teus movimentos como batidas dentro de mim e danço. Isso tem me deixado louca, tento segurar o sentimento pra que não cresça, mas é escorregadio e imenso. Crescendo ao ponto de não me deixar espaço pra respirar.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

15 de janeiro, 5h da manhã, a pior hora pra mim. Ta calor apesar do ar gelado na noite. Acordo perdida, sufocada, sozinha. Me arrumo, verifico a minha mala mais uma vez. O ato de verificar a mala me dói mais que uma surra. Desço a escada de mochila na costa. Sair na rua com o sol nascendo é tão familiar, a neblina, os carros, o cheiro. Mas dessa vez, o meu destino é o aeroporto e não a rodoviária. Me dou conta do tempo que desperdicei quando coloco os pés lá. A falta de tempo me persegue, me sufoca, tirando o meu ar e me matando aos poucos. Perceber que devia estar indo te ver ao invés de voltar pra casa me machuca tanto que preciso me abaixar pra segurar a onda de desespero que sobe pelo meu estomago e vai pra cabeça. Sinto percorrer todo o meu corpo, levando meu controle embora. Fiquei lá mais uma vez, com você.

sábado, 1 de agosto de 2015

Olhos de Clara

To chegando da praia, subindo a ladeira e rezando pra que não tenha ninguém na frente do prédio. Meu cabelo tava bagunçado, eu tava molhada. Viro a última esquina antes de chegar e vejo duas pessoas. Minha sorte não tava boa. Uma senhora e uma moça. Ela tava de saião, blusa e uma faixa na cabeça. O cabelo curto me chamou atenção antes de eu ver como ela era bonita. Passei ai lado dela pra entrar no prédio e não pude evitar olhar pra trás, ela tava me olhando, abriu um sorriso. Continuei andando. Não a vi nos 2 dias que se passaram. Na quinta, lá estava eu na mesma situação. Cabelo, molhada e rezando. Ela tava lá de novo,  com algumas pessoaa. Tremi inteira. Falei com todas e subi, tomei banho, me vesti e desci. Ela continuava lá. Pude ver melhor o rosto, os traços, o nariz, o jeito que ela ficava mexendo o pé... Lembro da risada forte, contagiosa. A vóz doce e firme. Os olhos que me olhavam por dentro...  Nunca mais vi ela depois daquele dia.
Um grito surge do fundo do peito, um grito de fogo. Arde, queima. É o veneno que me cega e corre pelas minhas veias.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Um ano


To na rodoviária, to pegando um ônibus, meu coração insiste em não ficar quieto. Bate rápido, forte. São 8h da manhã, mas to sentindo um calor forte e o cheiro do mar, sinto ela, sinto o sol. Acabo cochilando no , passo pela rio-niteroi e vejo a água, o cristo e o corvovado. Há balsas lá em baixo, o transito ta ótimo. Cochilo de novo e to em Casimiro de Abreu. Mando msg e percebo que to chegando, começo a me arrumar. Cabelo, roupa. Cheguei! Passo por um prquena ponte, dobro uma rotatória. Desço e percebo que to perdida, espero ela vim me encontrar. Meu celular ja descarregou. Observo a praia. Há uma pequena faixa de areia, ouço as ondas, ja são meio dia, o sol ta tinindo. A água é tão azul e a areia é tao branca. Há dois pescadores com varas enormes pescando da areia. A praia se estende por quilômetros. Sinto vontade de ir até la. Sento no banco e fico esperando.  Tem um rapaz que fica falando comigo. Olho pra um lado, pro outro. Muitas vans param, taxis.. Mas ela nao desce de nem uma. Olho pro outro lado depois de meia hora e vejo uma menina andando rápido na minha direçao, ela tem o rostinho aflito, vermelho. Ela tava com de short jeans, sapatenis e uma blusa polo violeta. Tinha tambem uma garrafa de água na mao. Abaixo a cabeça e abro um sorriso que permanece no meu rosto durante muito tempo. Ela chega e me abraça, reconheço aquele cheiro, aquela pele, aqueles braços. Estou de volta em casa !!